Dor lombar é provavelmente a queixa mais comum entre quem treina com regularidade — e também uma das mais mal interpretadas. Boa parte das pessoas, ao sentir a lombar travar depois de um treino de pernas ou de um dia inteiro sentado, conclui que o problema é o exercício e que a solução é parar. Na prática, interromper o treino por semanas costuma piorar o quadro em vez de resolvê-lo, e é justamente aí que a maioria comete o erro que mais atrasa a recuperação.
O mito do repouso absoluto
Durante décadas, a recomendação padrão para dor lombar era repouso: ficar na cama, evitar qualquer esforço, esperar a dor passar sozinha. Essa lógica faz sentido intuitivo — se algo dói, você evita mexer — mas a evidência acumulada nas últimas duas décadas foi na direção contrária. Manter algum nível de atividade física, ajustado à intensidade que a dor permite, costuma produzir recuperação mais rápida e menor taxa de recorrência do que o repouso prolongado.
Uma revisão da Cochrane Library que reuniu ensaios clínicos sobre prevenção de dor lombar inespecífica mostrou que programas de exercício reduzem em cerca de 35% o risco de um novo episódio de dor, número que sobe para aproximadamente 45% quando o exercício vem acompanhado de orientação educativa sobre a própria condição. O mesmo levantamento associou o exercício a uma redução de 11% a 22% no uso de serviços de saúde ligados ao problema e de 35% a 58% nos dias de afastamento do trabalho por causa da dor.
Fonte: Cochrane Library
Dor não é sinal para parar — é sinal para ajustar
Isso não significa treinar ignorando a dor. Existe uma diferença importante entre o desconforto mecânico comum — aquela lombar que trava depois de ficar muito tempo sentado ou que reclama num levantamento mais pesado — e sinais que pedem avaliação profissional antes de qualquer treino: dor que irradia para a perna, formigamento, perda de força ou de sensibilidade, ou dor que não melhora nem um pouco com o movimento. Esses sinais fogem do padrão mecânico comum e merecem avaliação de um profissional de saúde, não um ajuste de treino por conta própria.
Fonte: NSCA