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RPE e RIR: como usar a percepção de esforço para ajustar a carga do treino

Entenda o que são RPE e RIR, quão confiável é a sua própria percepção de esforço segundo a ciência e como aplicar essas escalas no treino sem depender só da porcentagem do 1RM.

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Equipe Streak

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Se você segue uma planilha de treino, provavelmente já viu prescrições do tipo "agachamento 4x6 a 80% de 1RM". O problema é que esse número fixo ignora uma coisa óbvia: você não é o mesmo todos os dias. Depois de uma noite mal dormida ou de uma semana de trabalho pesada, 80% do seu máximo pode parecer 90%. Depois de um bom descanso, pode parecer 70%. É para resolver essa variação diária que existe a percepção de esforço, ou RPE (Rate of Perceived Exertion), e sua versão irmã, o RIR (Repetitions in Reserve, ou repetições em reserva).

Os dois não são só jargão de treinador avançado. São ferramentas simples de usar que ajudam a ajustar a carga do treino com base em como seu corpo está reagindo naquele dia específico, em vez de seguir um número cego na planilha. Este artigo explica o que são, por que valem a pena, quão confiável é a sua própria percepção e como aplicar isso sem complicar o treino.

O que são RPE e RIR

A escala de RPE usada no treino de força vai de 1 a 10, em que 10 significa falha muscular total: você não conseguiria completar mais nenhuma repetição com boa técnica. RPE 9 significa que você poderia ter feito mais uma repetição, RPE 8 significa duas repetições a mais, e assim por diante. O RIR é essencialmente o mesmo conceito na direção oposta: em vez de dizer "RPE 8", você diz "2 reps em reserva". Um é o espelho do outro.

Essa escala específica para treino de força foi validada em estudo publicado no Journal of Strength and Conditioning Research, que desenvolveu e testou uma versão do RPE baseada em repetições em reserva, diferente da escala de Borg original, criada para exercício cardiovascular contínuo e pouco precisa para descrever proximidade da falha em uma série de agachamento ou supino.

Fontes: PubMed, Stronger by Science

Por que usar RPE em vez de seguir só a porcentagem do 1RM

Prescrever carga por porcentagem do 1RM parte de uma premissa frágil: que seu máximo é um número estável, medido uma vez e válido por meses. Na prática não é assim. Sono, estresse, alimentação, ciclo hormonal, até a temperatura do ambiente afetam quanto peso você consegue mover em determinado dia. Um programa rígido de porcentagens não tem como captar essa variação; uma prescrição por RPE, sim.

Na prática, isso muda a forma como o treino é escrito. Em vez de "agache com 100 kg", a prescrição vira "agache 3 séries de 5 repetições a RPE 8". Se no dia você está descansado, talvez isso signifique 105 kg. Se está exausto, talvez sejam 92 kg. O estímulo de esforço percebido continua parecido, mesmo que o peso na barra mude — e é justamente esse estímulo, não o número absoluto, que segue orientando o progresso.

Quão confiável é a sua própria percepção

A pergunta óbvia é: dá para confiar no que você sente? Estudos que compararam a estimativa de repetições em reserva dos praticantes com o número real de repetições até a falha mostram um padrão consistente: as pessoas tendem a subestimar quantas repetições ainda tinham disponíveis, ou seja, acham que estão mais perto da falha do que realmente estão.

A precisão também muda com a distância da falha. Pesquisa que avaliou a acurácia de previsões intra-série de RIR encontrou erro médio de cerca de uma repetição quando o RIR real estava entre 0 e 5, mas esse erro passava de duas repetições quando o RIR real estava entre 7 e 10 — ou seja, quanto mais longe você está da falha, pior sua estimativa de quanto falta. Praticantes mais experientes erram menos, em média de uma a duas repetições, enquanto iniciantes chegam a errar de quatro a cinco.

Fontes: PubMed, PubMed

Quanto mais perto da falha você treina, mais precisa fica sua percepção — é por isso que RPE funciona melhor na última série pesada do que na primeira série leve de aquecimento.

Como aplicar RPE no treino, na prática

Comece pelos exercícios principais — agachamento, supino, levantamento terra, remada, desenvolvimento — porque são movimentos que você já domina tecnicamente e nos quais é mais fácil perceber quando a barra começa a desacelerar. Não tente aplicar RPE em todos os exercícios do treino: em isoladores como rosca ou elevação lateral, a diferença entre RPE 7 e RPE 9 é sutil demais para valer o esforço mental de calcular.

Use a última série de um exercício como referência mais confiável. Como você já fez algumas séries antes, seu corpo está mais calibrado para sentir a proximidade da falha do que estaria numa primeira tentativa fria. Se a prescrição pede RPE 8 e a barra começou a travar bem antes da repetição prevista, essa é a série que te diz se o peso da próxima sessão deve subir, ficar igual ou cair.

Evite treinar todo treino, toda semana, em RPE 9 ou 10. Isso acumula fadiga muito mais rápido do que o corpo consegue recuperar, além de aumentar o risco de perder a técnica nas últimas repetições, quando a fadiga compromete o padrão de movimento. A maior parte do trabalho de um mesociclo bem estruturado costuma ficar entre RPE 6 e 8, reservando RPE 9 ou 10 para semanas específicas de teste ou para o fim de um bloco de treino.

Erros comuns ao usar RPE

O erro mais frequente é confundir desconforto geral com proximidade da falha. Uma série de agachamento pode queimar muito e ainda assim estar longe do ponto em que você perderia a técnica — RPE mede quanto falta para a falha técnica, não quanto a série incomodou. Outro erro é aplicar a mesma régua de RPE independente do exercício: RIR 2 no supino, um movimento mais curto e explosivo, se sente muito diferente de RIR 2 numa cadeira extensora de execução lenta.

Também é comum abandonar o método nas primeiras semanas por parecer impreciso demais. Isso é esperado: como qualquer habilidade, estimar RIR melhora com prática. Nas primeiras sessões, trate seus números com desconfiança e prefira errar para o lado conservador; depois de algumas semanas registrando e comparando com o resultado real das séries, a estimativa fica consideravelmente mais afiada.

  • Anote o RPE de cada série principal junto com o peso e as repetições — sem esse registro, não dá para comparar uma sessão com a outra.
  • Calibre sua percepção de vez em quando levando uma série real até a falha técnica, só para conferir se sua estimativa de RIR estava certa.
  • Não misture RPE de esforço cardiovascular com RPE de treino de força — são escalas com referências diferentes.
  • Dê mais peso ao RPE da última série de um exercício do que ao da primeira, que tende a ser menos confiável.
  • Se você é iniciante, use RPE como complemento a uma faixa de peso definida, não como único guia — sua margem de erro ainda é grande.

RPE como parte do seu histórico de treino

O valor do RPE cresce muito quando você olha para trás, não só para a série que acabou de fazer. Um treino em que você bateu RPE 7 numa carga que no mês passado exigia RPE 9 é um sinal de progresso tão real quanto um número maior na barra — às vezes mais confiável, porque leva em conta o custo do esforço, não só o resultado bruto. Registrar isso junto com o resto do treino, dentro da mesma rotina que você já usa para manter sua sequência de dias treinados, transforma uma sensação subjetiva em um dado que você pode revisar depois.

Isso também ajuda a enxergar fadiga acumulada antes que ela vire lesão ou platô. Se o RPE de uma carga que sempre foi RPE 7 começa a subir para 8 ou 9 sessão após sessão, sem que o peso tenha mudado, é um aviso de que algo fora do treino — sono, estresse, volume total — está pesando na recuperação. É um dado tão útil de acompanhar quanto o peso que você levanta.

No fim, RPE e RIR não substituem um bom programa nem uma boa técnica. São uma camada extra de informação, barata de coletar e fácil de aplicar, que ajuda a treinar com a intensidade certa no dia certo — nem forçando demais numa semana ruim, nem se poupando numa semana em que o corpo estava pedindo mais.

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Equipe Streak

Especialistas em consistência, formação de hábitos e performance física. Ajudamos pessoas a construírem rotinas de treino duradouras através de ciência e prática.

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