Você trocou a rosca direta pelo tríceps na polia, mas a dor no cotovelo aparece de qualquer jeito, seja no lado de dentro ou no lado de fora da articulação. No começo é só um incômodo depois do treino de braço, daquele tipo que some em um dia. Poucas semanas depois, já dói para girar a maçaneta da porta ou levantar uma xícara de café. É a lesão do tendão que caracteriza a chamada epicondilite, um problema comum na musculação, mas facilmente confundido com dor muscular passageira — o que leva muita gente a parar de treinar braço por completo, justamente quando isso costuma ser o pior caminho.
Duas dores diferentes: cotovelo do tenista e cotovelo do golfista
Apesar do nome, você não precisa jogar tênis nem golfe para sofrer com essas lesões — os nomes vêm apenas do movimento que primeiro foi associado a cada uma delas na literatura médica. A epicondilite lateral, o chamado cotovelo do tenista, afeta os tendões extensores do punho, que se inserem no lado externo do cotovelo, logo acima do antebraço. Ela costuma doer quando você estende o punho contra resistência, como ao segurar a barra na rosca direta com pegada firme ou ao abrir bruscamente a mão para pegar um peso no chão.
Já a epicondilite medial, o cotovelo do golfista, atinge o grupo flexor-pronador, o conjunto de tendões do lado interno do cotovelo responsável por fletir o punho e girar o antebraço. Segundo uma revisão publicada no PubMed, trata-se de uma tendinose — degeneração progressiva do tendão por sobrecarga repetida, e não uma inflamação aguda de início súbito. Ela aparece com mais frequência em quem faz movimentos repetitivos de flexão de punho e pronação do antebraço, como no treino pesado de bíceps ou em trabalhos manuais de pegada intensa.
Por que o treino de bíceps e tríceps sobrecarrega o cotovelo
O cotovelo é uma dobradiça simples, mas recebe o peso combinado de dois grupos musculares grandes trabalhando em direções opostas: os flexores, como o bíceps e o braquial, na rosca, e os extensores, como o tríceps, na polia e no supino fechado. Quando o volume de treino sobe rápido demais — mais séries, mais carga ou mais frequência do que o tendão está preparado para absorver — o tecido não tem tempo de se adaptar entre uma sessão e outra. O músculo em volta se recupera bem mais rápido do que o tendão, e é essa diferença de velocidade que cria a lesão.
